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Menopausa vivida: o que dizem as mulheres além dos sintomas

A menopausa costuma ser abordada, na maioria das vezes, a partir de uma perspectiva médica, com foco em sintomas físicos e tratamentos hormonais. No entanto, o artigo “Depoimentos de mulheres sobre a menopausa e o tratamento de seus sintomas”, publicado na Revista da Associação Médica Brasileira, propõe um olhar diferente e necessário: a escuta da experiência subjetiva das próprias mulheres. Trata-se de um estudo qualitativo que dá voz às vivências femininas nesse período de transição, permitindo compreender a menopausa não apenas como um evento biológico, mas como uma experiência emocional, social e simbólica. Um dos pontos mais marcantes do artigo é justamente a diversidade de percepções. As mulheres não vivenciam a menopausa de forma homogênea. Enquanto algumas relatam sofrimento intenso, outras descrevem esse momento com mais naturalidade e até com certo alívio, especialmente em relação ao fim do ciclo menstrual. Essa variação revela algo fundamental do ponto de vista psicológic...

Menopausa, corpo e mente: por que o exercício físico vai muito além da saúde física

Quando falamos em menopausa, a maioria das pessoas pensa imediatamente em hormônios, ondas de calor e mudanças no corpo. E de fato, tudo isso faz parte. Mas existe uma dimensão que muitas vezes fica em segundo plano e que é fundamental para entender esse momento da vida: a experiência psicológica. Um artigo publicado na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia aborda o papel do exercício físico na menopausa com foco nos benefícios para a saúde, especialmente na prevenção de doenças cardiovasculares e no controle da pressão arterial. A proposta é clara e importante: o exercício como estratégia de cuidado. Mas quando olhamos esse tema com um olhar psicológico, percebemos que ele é ainda mais profundo. A menopausa não é apenas uma mudança biológica. Ela representa uma transição. Um período em que o corpo muda, os papéis muitas vezes se reorganizam e a forma como a mulher se percebe também pode se transformar. É comum que, nessa fase, surjam questões relacionadas à identidade,...
Os contos de fada atravessam gerações porque falam diretamente com partes profundas da nossa psique. E quando olhamos para A Bela e a Fera com um olhar psicológico, percebemos que a história vai muito além de um romance. Ela fala sobre desenvolvimento emocional, relações afetivas e transformação interna. Vamos começar pela Bela. Bela é frequentemente vista como alguém sensível, empática e capaz de enxergar além das aparências. Do ponto de vista psicológico, ela representa uma consciência mais amadurecida, que não se guia apenas pelo superficial. Ela tem uma certa autonomia emocional, não se deixa seduzir facilmente por status ou aparência, e demonstra uma capacidade importante de tolerar o desconhecido. Mas também há um ponto interessante. A escolha de permanecer com a Fera pode ser vista como uma expressão de compaixão profunda, mas em algumas leituras psicológicas mais críticas, pode também levantar reflexões sobre padrões de cuidado excessivo ou até de relações em que um dos lado...

Estados alterados de consciência: como acessar e usar a favor da sua saúde mental

Você não precisa ir muito longe para experimentar um estado alterado de consciência. Ele já faz parte da sua vida. Sabe quando você está quase dormindo e os pensamentos ficam soltos, meio fora de ordem? Ou quando está tão envolvido em uma música, oração ou atividade criativa que perde a noção do tempo? Esses são exemplos simples e naturais. Estados alterados de consciência são modos diferentes de funcionamento da mente em relação ao estado comum do dia a dia. No estado habitual, estamos mais focados, racionais e orientados para tarefas. Já nos estados alterados, a percepção muda, a atenção se volta mais para dentro e o cérebro pode funcionar de forma mais flexível. A ciência vem estudando isso com bastante seriedade. Pesquisas em neurociência mostram que, nesses estados, há mudanças na atividade cerebral, especialmente em redes ligadas ao senso de identidade e ao controle rígido dos pensamentos. Em alguns casos, o cérebro fica mais “aberto”, permitindo novas conexões e interpretaç...

Quando a mente organiza e quando ela “viaja”: entendendo o cérebro entrópico

O cérebro humano é uma das coisas mais fascinantes que existem. E, nos últimos anos, surgiu um conceito que ajuda a explicar de forma simples por que às vezes estamos mais criativos, flexíveis e abertos, e em outros momentos mais rígidos, ansiosos ou até “travados”. Esse conceito é o de cérebro entrópico. Mas afinal, o que isso significa? De forma bem simples, entropia é um termo que vem da física e está relacionado ao nível de desordem ou imprevisibilidade de um sistema. Quando levamos essa ideia para o cérebro, estamos falando de como nossos pensamentos, emoções e percepções podem variar entre estados mais organizados ou mais caóticos. Um cérebro com baixa entropia funciona de forma mais previsível e organizada. Isso pode ser ótimo em várias situações, como quando precisamos de foco, disciplina e lógica. É o tipo de estado mental que usamos para trabalhar, planejar, resolver problemas práticos ou seguir rotinas. Por outro lado, um cérebro com alta entropia é mais flexível, criati...

Entre a lucidez e o desencanto: a psicologia por trás da recusa de Brás Cubas

A frase “não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria”, presente na obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, é uma das mais emblemáticas da literatura brasileira. Breve e contundente, ela encerra o romance com um tom de ironia e, ao mesmo tempo, de profunda reflexão sobre a condição humana. Quando observada sob a lente da psicologia, essa afirmação revela camadas complexas que dialogam com temas como sofrimento, legado, sentido da vida e a própria transmissão psíquica entre gerações. Brás Cubas, narrador defunto, revisita sua trajetória com um olhar distanciado e, por vezes, cínico. Sua conclusão final não é de redenção ou aprendizado transformador, mas de uma espécie de alívio por não ter perpetuado aquilo que ele nomeia como miséria. Essa miséria não se refere apenas à condição material, mas a algo mais amplo e existencial. Trata-se de uma visão desencantada da vida, na qual o sofrimento parece ser uma herança inevitável. Do ponto de...

Minimalismo e psicologia: o encontro entre o essencial e o bem-estar emocional

O minimalismo, mais do que uma estética ou tendência, pode ser compreendido como um posicionamento diante da vida. Em um mundo marcado pelo excesso de estímulos, consumo e aceleração constante, a proposta minimalista convida à redução, à escolha consciente e à valorização do essencial. Sob a perspectiva da psicologia, esse movimento não se limita ao espaço físico, mas alcança também o mundo interno, influenciando a forma como pensamos, sentimos e nos relacionamos. A vida contemporânea impõe um ritmo intenso, no qual acumular parece ser sinônimo de sucesso. Acumula-se objetos, compromissos, informações e até relações. No entanto, esse excesso pode gerar sobrecarga psíquica. O cérebro humano possui limites para processar estímulos, e quando esses limites são constantemente ultrapassados, surgem sinais de desgaste, como ansiedade, irritabilidade, dificuldade de concentração e sensação de esgotamento. O minimalismo surge, nesse contexto, como uma resposta possível. Ao propor a redução ...

Claire Fraser: entre o tempo, o trauma e a força psíquica de existir

A personagem Claire Fraser, da série Outlander, é uma das construções mais ricas e complexas da ficção contemporânea quando observada sob a lente da psicologia. Sua trajetória atravessa guerras, deslocamentos no tempo, perdas e reconstruções constantes, revelando não apenas uma mulher forte, mas um psiquismo em permanente adaptação diante de situações extremas. Claire é apresentada inicialmente como uma enfermeira durante a Segunda Guerra Mundial, o que já indica um primeiro contato intenso com a dor, a morte e o sofrimento humano. Essa experiência inicial não apenas a forma tecnicamente, mas também a expõe a um cenário que exige respostas emocionais rápidas, capacidade de contenção e uma certa dissociação funcional para lidar com o trauma. Do ponto de vista psicológico, esse tipo de vivência pode tanto fortalecer recursos internos quanto deixar marcas profundas, muitas vezes silenciosas. Ao ser transportada para o século XVIII, Claire vivencia uma ruptura radical com sua realidade...

Educação em 2026: entre tecnologia, subjetividade e os novos desafios da mente

A educação em 2026 se encontra em um ponto de inflexão. Não se trata apenas de incorporar novas tecnologias ou atualizar metodologias de ensino, mas de repensar profundamente o sentido de educar em um mundo marcado por transformações rápidas, incertezas constantes e mudanças significativas na forma como as pessoas aprendem, se relacionam e constroem sua identidade. Nesse cenário, a psicologia surge como uma lente fundamental para compreender não apenas o processo de aprendizagem, mas também os impactos emocionais, cognitivos e sociais que atravessam alunos, professores e instituições. Um dos aspectos mais evidentes na educação contemporânea é a presença massiva da tecnologia. Plataformas digitais, inteligência artificial e ambientes híbridos de aprendizagem deixaram de ser tendência para se tornarem realidade consolidada. No entanto, a simples presença desses recursos não garante aprendizagem significativa. Do ponto de vista psicológico, aprender envolve atenção, motivação, memória e ...

A mente em tempos de crise: compreendendo a insegurança política

A insegurança política tem se tornado uma experiência cada vez mais presente na vida contemporânea. Não se trata apenas de acompanhar notícias ou de se posicionar ideologicamente, mas de vivenciar, no cotidiano, um estado difuso de incerteza, instabilidade e, muitas vezes, medo. A política, que deveria organizar a vida coletiva e oferecer alguma previsibilidade, passa a ser percebida como fonte de tensão emocional, impactando diretamente a saúde mental dos indivíduos. Do ponto de vista psicológico, a insegurança está profundamente relacionada à sensação de falta de controle. O ser humano, em sua constituição psíquica, busca referências estáveis que lhe permitam antecipar minimamente o futuro. Quando essas referências são abaladas, seja por crises institucionais, polarização extrema, mudanças abruptas de regras ou discursos contraditórios, instala-se um estado interno de alerta. Esse estado pode se manifestar como ansiedade, irritabilidade, dificuldade de concentração e até sintomas fí...

Entre o desejo e a negação: uma leitura psicológica de “A Raposa e as Uvas”

O conto “A Raposa e as Uvas”, atribuído a Esopo, é uma dessas narrativas breves que atravessam séculos justamente por tocar em algo essencial da experiência humana. À primeira vista, trata-se de uma história simples: uma raposa, ao ver uvas maduras e apetitosas, tenta alcançá-las. Após repetidas tentativas frustradas, desiste e conclui que as uvas estavam verdes e, portanto, não valiam a pena. Mas o que essa pequena história revela sobre o funcionamento da mente humana? Mais do que uma fábula moral, ela é uma representação sofisticada de um mecanismo psicológico bastante conhecido: a racionalização. Conceito amplamente explorado dentro da Psicanálise, especialmente a partir das contribuições de Sigmund Freud, a racionalização é uma forma de defesa psíquica. Quando não conseguimos alcançar algo que desejamos,seja por limitação, circunstância ou incapacidade momentânea, nossa mente pode produzir justificativas que amenizam a frustração. Em vez de lidar com o sentimento de impotência...

Entre a selva e a alma: uma leitura psicológica de “Mogli”

A história de Mogli, imortalizada por Rudyard Kipling em O Livro da Selva, vai muito além de uma narrativa de aventura infantil. Trata-se, na verdade, de uma poderosa metáfora sobre identidade, pertencimento e desenvolvimento psíquico. Mogli é um menino humano criado por lobos. Desde o início, sua existência é marcada por um paradoxo fundamental: ele pertence à selva, mas não é da selva. Essa tensão entre origem e contexto atravessa toda a narrativa e reflete um dos dilemas mais profundos da experiência humana: o de se reconhecer entre o que se é e o que o ambiente oferece. Do ponto de vista psicológico, Mogli representa o sujeito em processo de construção identitária. Ele não nasce com uma identidade pronta; ao contrário, precisa construí-la a partir das relações que estabelece. Seus “pais” lobos, o urso Balu e a pantera Bagheera funcionam como figuras estruturantes, oferecendo cuidado, limites e ensinamentos. Essas figuras podem ser compreendidas como representações simbólicas d...

O movimento que cura: a importância do esporte para a saúde mental

Em um mundo cada vez mais acelerado, onde o excesso de estímulos convive com o esvaziamento de sentido, cuidar da saúde mental tornou-se uma necessidade urgente. Entre tantas estratégias possíveis, uma das mais acessíveis, potentes e, muitas vezes, subestimadas, é o esporte. Mais do que uma prática física, o esporte é uma experiência humana completa. Ele envolve corpo, mente, emoção e, não raramente, espiritualidade. Quando alguém se movimenta, não está apenas queimando calorias: está, de forma profunda, reorganizando o próprio funcionamento psíquico. A ciência já demonstra que a prática regular de atividade física contribui para a liberação de neurotransmissores como endorfina, dopamina e serotonina. Essas substâncias estão diretamente relacionadas à sensação de prazer, bem-estar e regulação do humor. Em outras palavras, o esporte atua como um verdadeiro regulador emocional natural. Mas os benefícios vão muito além do aspecto bioquímico. Praticar esporte é também uma forma de sa...

Você já “engoliu” uma emoção sem perceber? Entenda a repressão!

🧠💭 Sabe quando você tenta não pensar naquele crush que te deixou no vácuo, ou finge que aquele tombo traumático na infância nunca aconteceu… mas, estranhamente, isso ainda aparece em forma de ansiedade, insônia ou comportamento estranho? Isso pode ser o famoso mecanismo de defesa chamado repressão. O que é repressão? A repressão é um truque do nosso cérebro — tipo um copiloto inconsciente — que empurra para baixo (lá para o “porão” da mente) aquilo que é doloroso, assustador ou que provoca vergonha e ansiedade. Mas calma: isso não é algo que fazemos de propósito — geralmente acontece sem que percebamos. É como aquele arquivo que você “esconde” na pasta errada para não lidar com ele — e, mesmo assim, ele continua lá, influenciando o que você sente e faz. Repressão x Supressão: qual é a diferença Repressão: acontece sem você perceber — você simplesmente não consegue acessar a lembrança ou sentimento consciente. 🧘‍♀️ Supressão: você sabe o que está sentindo e escolhe não ...

Transtorno de Personalidade Dependente: quando o medo de ficar só governa as escolhas

Buscar apoio, afeto e pertencimento é parte essencial da experiência humana. Nenhuma pessoa se constrói sozinha. No entanto, quando a necessidade do outro se transforma em medo intenso de abandono e incapacidade de tomar decisões de forma autônoma, podemos estar diante do Transtorno de Personalidade Dependente (TPD). Mais do que “apego excessivo”, esse transtorno envolve uma estrutura psíquica marcada pela insegurança profunda e pela crença de que não se é capaz de viver sem a condução de alguém. O que é o Transtorno de Personalidade Dependente? O Transtorno de Personalidade Dependente é caracterizado por um padrão persistente e excessivo de necessidade de ser cuidado, que leva à submissão, à dificuldade de discordar e ao medo intenso de separação. A pessoa tende a colocar suas próprias necessidades, desejos e opiniões em segundo plano para preservar vínculos, mesmo quando esses vínculos são prejudiciais. É importante diferenciar: dependência emocional transitória, comum em mo...

“Spiritual Bypass”: Quando a espiritualidade vira atalho e como isso afeta o luto

Nos últimos anos, falar sobre espiritualidade se tornou cada vez mais comum — especialmente em momentos de dor profunda, como o luto. A espiritualidade pode ser um pilar importante de sentido, apoio e esperança. No entanto, existe um fenômeno que merece atenção: o spiritual bypass, ou desvio espiritual. Embora pareça, à primeira vista, um caminho de luz, o espiritual bypass pode impedir o enlutado de viver o processo de forma íntegra e saudável. O que é Spiritual Bypass? O termo foi cunhado por John Welwood, psicólogo e estudioso do budismo tibetano, para descrever o uso da espiritualidade como uma forma de evitar o contato com emoções difíceis. Um bypass, na engenharia, é um desvio. Na vida psíquica, também: é quando usamos pensamentos, crenças e práticas espirituais para desviar da dor, da vulnerabilidade, da confusão e da tristeza — em vez de atravessá-las. Não se trata de “má espiritualidade”: é o uso da espiritualidade para fugir, e não para integrar. Como reconhecer o sp...

Personalidade Antissocial: o que a psicologia compreende e o que ainda precisamos desmistificar

Quando falamos em “personalidade antissocial”, muitas pessoas imaginam automaticamente alguém frio, perigoso ou incapaz de sentir empatia. Na cultura popular, esse termo se tornou sinônimo de violência extrema , um estereótipo que pouco ajuda na compreensão real do fenômeno humano por trás desse diagnóstico. Na psicologia e na psiquiatria, porém, estamos falando de algo muito mais complexo: um padrão persistente de funcionamento emocional e relacional marcado por impulsividade, dificuldade de reconhecer normas sociais e, muitas vezes, uma história de vida permeada por traumas precoces, negligência, violência e rupturas afetivas. Escrever sobre isso exige cuidado. E é justamente esse cuidado que abre espaço para o entendimento — e não para o julgamento. O que é, afinal, o Transtorno de Personalidade Antissocial? Segundo o DSM-5-TR (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), o Transtorno de Personalidade Antissocial envolve um padrão de: desrespeito persistente pela...

A fé sob o olhar da Psicologia da Religião: sentido, vínculo e enfrentamento do sofrimento

A fé é uma das experiências humanas mais antigas e universais. Presente em diferentes culturas, épocas e tradições, ela atravessa a história das civilizações e também as histórias individuais. Para a Psicologia da Religião, a fé não é analisada a partir de sua veracidade teológica, mas como um fenômeno psicológico, relacional e simbólico, que influencia profundamente a forma como as pessoas constroem sentido, se vinculam e enfrentam o sofrimento. Nesse campo de estudo, a fé é compreendida como parte da vida psíquica — uma experiência que pode sustentar, organizar, proteger, mas que também pode, em determinadas condições, gerar conflitos internos e sofrimento emocional. Fé como experiência de sentido Um dos principais aportes da Psicologia da Religião é a compreensão da fé como um sistema de produção de sentido. Diante da dor, da perda, da finitude e da imprevisibilidade da vida, o ser humano busca narrativas que organizem sua experiência interna e deem coerência à existência. Vi...