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Você já “engoliu” uma emoção sem perceber? Entenda a repressão!

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Transtorno de Personalidade Dependente: quando o medo de ficar só governa as escolhas

Buscar apoio, afeto e pertencimento é parte essencial da experiência humana. Nenhuma pessoa se constrói sozinha. No entanto, quando a necessidade do outro se transforma em medo intenso de abandono e incapacidade de tomar decisões de forma autônoma, podemos estar diante do Transtorno de Personalidade Dependente (TPD). Mais do que “apego excessivo”, esse transtorno envolve uma estrutura psíquica marcada pela insegurança profunda e pela crença de que não se é capaz de viver sem a condução de alguém. O que é o Transtorno de Personalidade Dependente? O Transtorno de Personalidade Dependente é caracterizado por um padrão persistente e excessivo de necessidade de ser cuidado, que leva à submissão, à dificuldade de discordar e ao medo intenso de separação. A pessoa tende a colocar suas próprias necessidades, desejos e opiniões em segundo plano para preservar vínculos, mesmo quando esses vínculos são prejudiciais. É importante diferenciar: dependência emocional transitória, comum em mo...

“Spiritual Bypass”: Quando a espiritualidade vira atalho e como isso afeta o luto

Nos últimos anos, falar sobre espiritualidade se tornou cada vez mais comum — especialmente em momentos de dor profunda, como o luto. A espiritualidade pode ser um pilar importante de sentido, apoio e esperança. No entanto, existe um fenômeno que merece atenção: o spiritual bypass, ou desvio espiritual. Embora pareça, à primeira vista, um caminho de luz, o espiritual bypass pode impedir o enlutado de viver o processo de forma íntegra e saudável. O que é Spiritual Bypass? O termo foi cunhado por John Welwood, psicólogo e estudioso do budismo tibetano, para descrever o uso da espiritualidade como uma forma de evitar o contato com emoções difíceis. Um bypass, na engenharia, é um desvio. Na vida psíquica, também: é quando usamos pensamentos, crenças e práticas espirituais para desviar da dor, da vulnerabilidade, da confusão e da tristeza — em vez de atravessá-las. Não se trata de “má espiritualidade”: é o uso da espiritualidade para fugir, e não para integrar. Como reconhecer o sp...

Personalidade Antissocial: o que a psicologia compreende — e o que ainda precisamos desmistificar

Quando falamos em “personalidade antissocial”, muitas pessoas imaginam automaticamente alguém frio, perigoso ou incapaz de sentir empatia. Na cultura popular, esse termo se tornou sinônimo de violência extrema — um estereótipo que pouco ajuda na compreensão real do fenômeno humano por trás desse diagnóstico. Na psicologia e na psiquiatria, porém, estamos falando de algo muito mais complexo: um padrão persistente de funcionamento emocional e relacional marcado por impulsividade, dificuldade de reconhecer normas sociais e, muitas vezes, uma história de vida permeada por traumas precoces, negligência, violência e rupturas afetivas. Escrever sobre isso exige cuidado. E é justamente esse cuidado que abre espaço para o entendimento — e não para o julgamento. O que é, afinal, o Transtorno de Personalidade Antissocial? Segundo o DSM-5-TR (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), o Transtorno de Personalidade Antissocial envolve um padrão de: desrespeito persistente pela...

A fé sob o olhar da Psicologia da Religião: sentido, vínculo e enfrentamento do sofrimento

A fé é uma das experiências humanas mais antigas e universais. Presente em diferentes culturas, épocas e tradições, ela atravessa a história das civilizações e também as histórias individuais. Para a Psicologia da Religião, a fé não é analisada a partir de sua veracidade teológica, mas como um fenômeno psicológico, relacional e simbólico, que influencia profundamente a forma como as pessoas constroem sentido, se vinculam e enfrentam o sofrimento. Nesse campo de estudo, a fé é compreendida como parte da vida psíquica — uma experiência que pode sustentar, organizar, proteger, mas que também pode, em determinadas condições, gerar conflitos internos e sofrimento emocional. Fé como experiência de sentido Um dos principais aportes da Psicologia da Religião é a compreensão da fé como um sistema de produção de sentido. Diante da dor, da perda, da finitude e da imprevisibilidade da vida, o ser humano busca narrativas que organizem sua experiência interna e deem coerência à existência. Vi...

Análise psicológica do conto João e o Pé de Feijão

O conto “João e o Pé de Feijão” pode ser compreendido como uma narrativa simbólica do processo de amadurecimento psíquico e da passagem da infância para uma posição mais autônoma diante da vida. À primeira vista, trata-se de uma história simples sobre coragem e aventura; porém, sob uma lente psicológica, revela conflitos profundos ligados à dependência, à escassez, à transgressão e à construção do self. João vive em um contexto de privação material e emocional, marcado pela ausência da figura paterna e por uma relação simbiótica com a mãe. Essa configuração aponta para um ambiente de insegurança, no qual a sobrevivência depende da obediência e da manutenção do conhecido. A vaca, único bem da família, representa a fonte de sustento, mas também a repetição de um modo de existir limitado e estagnado. Ao trocar a vaca por feijões mágicos, João realiza um ato de desobediência que, do ponto de vista psicológico, pode ser entendido como uma transgressão necessária. Ele rompe com a lógica ...

Quando o adeus já se anuncia — luto antecipatório, espiritualidade e o papel da psicologia

Às vezes, a perda começa antes do “dia do adeus”. O diagnóstico de uma doença grave, a deterioração de alguém querido ou a consciência da finitude podem provocar uma dor antecipada — um sofrimento que mistura medo, saudade, ansiedade, culpa, esperança e desesperança. Esse processo longo, difuso, muitas vezes invisível aos olhos de quem não vive diretamente, é o que chamamos de luto antecipatório. Para quem experiencia esse tipo de dor, a espiritualidade e o cuidado psicológico podem se tornar companheiras fundamentais — caminhos de acolhimento, simbolização e (re)significação da vida e da morte. O que é luto antecipatório — sob a luz da psicologia e da psicanálise O luto antecipatório é entendido como o “enlutamento” que ocorre antes da perda real — quando a morte ou a perda já é esperada. Esse tipo de luto envolve não apenas o sofrimento frente à possibilidade da perda futura, mas também o luto de vivências perdidas no presente: saúde, autonomia, projetos, sonhos, relação plena c...