Quando o final do ano pesa: por que é tão difícil lidar com as emoções das festas e confraternizações
À primeira vista, o final do ano costuma ser associado a luzes, celebrações, reencontros e esperança. Mas, na prática clínica, é comum ouvir o oposto: um cansaço emocional profundo, uma sensação de cobrança, e até um desejo silencioso de que tudo passe rápido. As festas de fim de ano podem ativar emoções intensas — e muitas vezes contraditórias. Enquanto o mundo incentiva alegria, pertencimento e celebração, dentro de muitas pessoas há um campo emocional mais complexo: lembranças difíceis, lutos não elaborados, relações fragilizadas, cansaço acumulado, e uma sensação de inadequação diante das expectativas sociais. Por que o final do ano desperta emoções tão fortes? Época de balanços, conscientes ou não. Mesmo sem perceber, revisamos o ano: o que foi conquistado, o que ficou suspenso, o que doeu. Essa retrospectiva interna pode tocar feridas ainda abertas. A pressão para estar bem. O discurso “é tempo de celebrar” cria uma norma implícita: sentir-se feliz. E quando isso não aco...