Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo psicologia

Menopausa vivida: o que dizem as mulheres além dos sintomas

A menopausa costuma ser abordada, na maioria das vezes, a partir de uma perspectiva médica, com foco em sintomas físicos e tratamentos hormonais. No entanto, o artigo “Depoimentos de mulheres sobre a menopausa e o tratamento de seus sintomas”, publicado na Revista da Associação Médica Brasileira, propõe um olhar diferente e necessário: a escuta da experiência subjetiva das próprias mulheres. Trata-se de um estudo qualitativo que dá voz às vivências femininas nesse período de transição, permitindo compreender a menopausa não apenas como um evento biológico, mas como uma experiência emocional, social e simbólica. Um dos pontos mais marcantes do artigo é justamente a diversidade de percepções. As mulheres não vivenciam a menopausa de forma homogênea. Enquanto algumas relatam sofrimento intenso, outras descrevem esse momento com mais naturalidade e até com certo alívio, especialmente em relação ao fim do ciclo menstrual. Essa variação revela algo fundamental do ponto de vista psicológic...

Quando a mente organiza e quando ela “viaja”: entendendo o cérebro entrópico

O cérebro humano é uma das coisas mais fascinantes que existem. E, nos últimos anos, surgiu um conceito que ajuda a explicar de forma simples por que às vezes estamos mais criativos, flexíveis e abertos, e em outros momentos mais rígidos, ansiosos ou até “travados”. Esse conceito é o de cérebro entrópico. Mas afinal, o que isso significa? De forma bem simples, entropia é um termo que vem da física e está relacionado ao nível de desordem ou imprevisibilidade de um sistema. Quando levamos essa ideia para o cérebro, estamos falando de como nossos pensamentos, emoções e percepções podem variar entre estados mais organizados ou mais caóticos. Um cérebro com baixa entropia funciona de forma mais previsível e organizada. Isso pode ser ótimo em várias situações, como quando precisamos de foco, disciplina e lógica. É o tipo de estado mental que usamos para trabalhar, planejar, resolver problemas práticos ou seguir rotinas. Por outro lado, um cérebro com alta entropia é mais flexível, criati...

Minimalismo e psicologia: o encontro entre o essencial e o bem-estar emocional

O minimalismo, mais do que uma estética ou tendência, pode ser compreendido como um posicionamento diante da vida. Em um mundo marcado pelo excesso de estímulos, consumo e aceleração constante, a proposta minimalista convida à redução, à escolha consciente e à valorização do essencial. Sob a perspectiva da psicologia, esse movimento não se limita ao espaço físico, mas alcança também o mundo interno, influenciando a forma como pensamos, sentimos e nos relacionamos. A vida contemporânea impõe um ritmo intenso, no qual acumular parece ser sinônimo de sucesso. Acumula-se objetos, compromissos, informações e até relações. No entanto, esse excesso pode gerar sobrecarga psíquica. O cérebro humano possui limites para processar estímulos, e quando esses limites são constantemente ultrapassados, surgem sinais de desgaste, como ansiedade, irritabilidade, dificuldade de concentração e sensação de esgotamento. O minimalismo surge, nesse contexto, como uma resposta possível. Ao propor a redução ...

Claire Fraser: entre o tempo, o trauma e a força psíquica de existir

A personagem Claire Fraser, da série Outlander, é uma das construções mais ricas e complexas da ficção contemporânea quando observada sob a lente da psicologia. Sua trajetória atravessa guerras, deslocamentos no tempo, perdas e reconstruções constantes, revelando não apenas uma mulher forte, mas um psiquismo em permanente adaptação diante de situações extremas. Claire é apresentada inicialmente como uma enfermeira durante a Segunda Guerra Mundial, o que já indica um primeiro contato intenso com a dor, a morte e o sofrimento humano. Essa experiência inicial não apenas a forma tecnicamente, mas também a expõe a um cenário que exige respostas emocionais rápidas, capacidade de contenção e uma certa dissociação funcional para lidar com o trauma. Do ponto de vista psicológico, esse tipo de vivência pode tanto fortalecer recursos internos quanto deixar marcas profundas, muitas vezes silenciosas. Ao ser transportada para o século XVIII, Claire vivencia uma ruptura radical com sua realidade...

Educação em 2026: entre tecnologia, subjetividade e os novos desafios da mente

A educação em 2026 se encontra em um ponto de inflexão. Não se trata apenas de incorporar novas tecnologias ou atualizar metodologias de ensino, mas de repensar profundamente o sentido de educar em um mundo marcado por transformações rápidas, incertezas constantes e mudanças significativas na forma como as pessoas aprendem, se relacionam e constroem sua identidade. Nesse cenário, a psicologia surge como uma lente fundamental para compreender não apenas o processo de aprendizagem, mas também os impactos emocionais, cognitivos e sociais que atravessam alunos, professores e instituições. Um dos aspectos mais evidentes na educação contemporânea é a presença massiva da tecnologia. Plataformas digitais, inteligência artificial e ambientes híbridos de aprendizagem deixaram de ser tendência para se tornarem realidade consolidada. No entanto, a simples presença desses recursos não garante aprendizagem significativa. Do ponto de vista psicológico, aprender envolve atenção, motivação, memória e ...

A mente em tempos de crise: compreendendo a insegurança política

A insegurança política tem se tornado uma experiência cada vez mais presente na vida contemporânea. Não se trata apenas de acompanhar notícias ou de se posicionar ideologicamente, mas de vivenciar, no cotidiano, um estado difuso de incerteza, instabilidade e, muitas vezes, medo. A política, que deveria organizar a vida coletiva e oferecer alguma previsibilidade, passa a ser percebida como fonte de tensão emocional, impactando diretamente a saúde mental dos indivíduos. Do ponto de vista psicológico, a insegurança está profundamente relacionada à sensação de falta de controle. O ser humano, em sua constituição psíquica, busca referências estáveis que lhe permitam antecipar minimamente o futuro. Quando essas referências são abaladas, seja por crises institucionais, polarização extrema, mudanças abruptas de regras ou discursos contraditórios, instala-se um estado interno de alerta. Esse estado pode se manifestar como ansiedade, irritabilidade, dificuldade de concentração e até sintomas fí...

Entre o desejo e a negação: uma leitura psicológica de “A Raposa e as Uvas”

O conto “A Raposa e as Uvas”, atribuído a Esopo, é uma dessas narrativas breves que atravessam séculos justamente por tocar em algo essencial da experiência humana. À primeira vista, trata-se de uma história simples: uma raposa, ao ver uvas maduras e apetitosas, tenta alcançá-las. Após repetidas tentativas frustradas, desiste e conclui que as uvas estavam verdes e, portanto, não valiam a pena. Mas o que essa pequena história revela sobre o funcionamento da mente humana? Mais do que uma fábula moral, ela é uma representação sofisticada de um mecanismo psicológico bastante conhecido: a racionalização. Conceito amplamente explorado dentro da Psicanálise, especialmente a partir das contribuições de Sigmund Freud, a racionalização é uma forma de defesa psíquica. Quando não conseguimos alcançar algo que desejamos,seja por limitação, circunstância ou incapacidade momentânea, nossa mente pode produzir justificativas que amenizam a frustração. Em vez de lidar com o sentimento de impotência...

Você já “engoliu” uma emoção sem perceber? Entenda a repressão!

🧠💭 Sabe quando você tenta não pensar naquele crush que te deixou no vácuo, ou finge que aquele tombo traumático na infância nunca aconteceu… mas, estranhamente, isso ainda aparece em forma de ansiedade, insônia ou comportamento estranho? Isso pode ser o famoso mecanismo de defesa chamado repressão. O que é repressão? A repressão é um truque do nosso cérebro — tipo um copiloto inconsciente — que empurra para baixo (lá para o “porão” da mente) aquilo que é doloroso, assustador ou que provoca vergonha e ansiedade. Mas calma: isso não é algo que fazemos de propósito — geralmente acontece sem que percebamos. É como aquele arquivo que você “esconde” na pasta errada para não lidar com ele — e, mesmo assim, ele continua lá, influenciando o que você sente e faz. Repressão x Supressão: qual é a diferença Repressão: acontece sem você perceber — você simplesmente não consegue acessar a lembrança ou sentimento consciente. 🧘‍♀️ Supressão: você sabe o que está sentindo e escolhe não ...

Transtorno de Personalidade Dependente: quando o medo de ficar só governa as escolhas

Buscar apoio, afeto e pertencimento é parte essencial da experiência humana. Nenhuma pessoa se constrói sozinha. No entanto, quando a necessidade do outro se transforma em medo intenso de abandono e incapacidade de tomar decisões de forma autônoma, podemos estar diante do Transtorno de Personalidade Dependente (TPD). Mais do que “apego excessivo”, esse transtorno envolve uma estrutura psíquica marcada pela insegurança profunda e pela crença de que não se é capaz de viver sem a condução de alguém. O que é o Transtorno de Personalidade Dependente? O Transtorno de Personalidade Dependente é caracterizado por um padrão persistente e excessivo de necessidade de ser cuidado, que leva à submissão, à dificuldade de discordar e ao medo intenso de separação. A pessoa tende a colocar suas próprias necessidades, desejos e opiniões em segundo plano para preservar vínculos, mesmo quando esses vínculos são prejudiciais. É importante diferenciar: dependência emocional transitória, comum em mo...

“Spiritual Bypass”: Quando a espiritualidade vira atalho e como isso afeta o luto

Nos últimos anos, falar sobre espiritualidade se tornou cada vez mais comum — especialmente em momentos de dor profunda, como o luto. A espiritualidade pode ser um pilar importante de sentido, apoio e esperança. No entanto, existe um fenômeno que merece atenção: o spiritual bypass, ou desvio espiritual. Embora pareça, à primeira vista, um caminho de luz, o espiritual bypass pode impedir o enlutado de viver o processo de forma íntegra e saudável. O que é Spiritual Bypass? O termo foi cunhado por John Welwood, psicólogo e estudioso do budismo tibetano, para descrever o uso da espiritualidade como uma forma de evitar o contato com emoções difíceis. Um bypass, na engenharia, é um desvio. Na vida psíquica, também: é quando usamos pensamentos, crenças e práticas espirituais para desviar da dor, da vulnerabilidade, da confusão e da tristeza — em vez de atravessá-las. Não se trata de “má espiritualidade”: é o uso da espiritualidade para fugir, e não para integrar. Como reconhecer o sp...

Personalidade Antissocial: o que a psicologia compreende e o que ainda precisamos desmistificar

Quando falamos em “personalidade antissocial”, muitas pessoas imaginam automaticamente alguém frio, perigoso ou incapaz de sentir empatia. Na cultura popular, esse termo se tornou sinônimo de violência extrema , um estereótipo que pouco ajuda na compreensão real do fenômeno humano por trás desse diagnóstico. Na psicologia e na psiquiatria, porém, estamos falando de algo muito mais complexo: um padrão persistente de funcionamento emocional e relacional marcado por impulsividade, dificuldade de reconhecer normas sociais e, muitas vezes, uma história de vida permeada por traumas precoces, negligência, violência e rupturas afetivas. Escrever sobre isso exige cuidado. E é justamente esse cuidado que abre espaço para o entendimento — e não para o julgamento. O que é, afinal, o Transtorno de Personalidade Antissocial? Segundo o DSM-5-TR (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), o Transtorno de Personalidade Antissocial envolve um padrão de: desrespeito persistente pela...

A fé sob o olhar da Psicologia da Religião: sentido, vínculo e enfrentamento do sofrimento

A fé é uma das experiências humanas mais antigas e universais. Presente em diferentes culturas, épocas e tradições, ela atravessa a história das civilizações e também as histórias individuais. Para a Psicologia da Religião, a fé não é analisada a partir de sua veracidade teológica, mas como um fenômeno psicológico, relacional e simbólico, que influencia profundamente a forma como as pessoas constroem sentido, se vinculam e enfrentam o sofrimento. Nesse campo de estudo, a fé é compreendida como parte da vida psíquica — uma experiência que pode sustentar, organizar, proteger, mas que também pode, em determinadas condições, gerar conflitos internos e sofrimento emocional. Fé como experiência de sentido Um dos principais aportes da Psicologia da Religião é a compreensão da fé como um sistema de produção de sentido. Diante da dor, da perda, da finitude e da imprevisibilidade da vida, o ser humano busca narrativas que organizem sua experiência interna e deem coerência à existência. Vi...

Quando o adeus já se anuncia — luto antecipatório, espiritualidade e o papel da psicologia

Às vezes, a perda começa antes do “dia do adeus”. O diagnóstico de uma doença grave, a deterioração de alguém querido ou a consciência da finitude podem provocar uma dor antecipada — um sofrimento que mistura medo, saudade, ansiedade, culpa, esperança e desesperança. Esse processo longo, difuso, muitas vezes invisível aos olhos de quem não vive diretamente, é o que chamamos de luto antecipatório. Para quem experiencia esse tipo de dor, a espiritualidade e o cuidado psicológico podem se tornar companheiras fundamentais — caminhos de acolhimento, simbolização e (re)significação da vida e da morte. O que é luto antecipatório — sob a luz da psicologia e da psicanálise O luto antecipatório é entendido como o “enlutamento” que ocorre antes da perda real — quando a morte ou a perda já é esperada. Esse tipo de luto envolve não apenas o sofrimento frente à possibilidade da perda futura, mas também o luto de vivências perdidas no presente: saúde, autonomia, projetos, sonhos, relação plena c...

“Parasocial”: a palavra de 2025 que revela nossos vínculos modernos e o que a psicologia tem a dizer sobre isso

Recentemente, o Cambridge Dictionary elegeu parasocial como a Palavra do Ano de 2025. Mas o que esse termo, até então mais usado em contextos acadêmicos, nos diz sobre como estamos vivendo hoje — especialmente nas redes sociais, com celebridades, criadores de conteúdo, personagens fictícios e até inteligências artificiais? O que significa “parasocial”? De acordo com o Cambridge Dictionary, “parasocial” descreve uma conexão que alguém sente com uma pessoa famosa — ou personagem de livro/filme/TV, ou até uma IA — mesmo sem conhecê-la pessoalmente. Traduzindo no bom e velho português: é aquela sensação de “conhecer íntima e profundamente” alguém que, na verdade, vive num universo diferente — e que provavelmente nem sabe que você existe. Por décadas esse fenômeno foi associado à televisão, roteiros e ídolos distantes. Mas hoje, com redes sociais, streaming, podcasts e inteligência artificial, a “intimidade” parasocial se multiplicou — e com ela, o impacto emocional. Por que “par...

Scrooge e a Psicologia da Transformação: o que o velho avarento nos ensina sobre mudança

Poucos personagens da literatura são tão emblemáticos quanto Ebenezer Scrooge, o velho avarento de Um Conto de Natal, de Charles Dickens. Sua figura rígida, fria e indiferente é tão marcada que virou sinônimo de mesquinharia e dureza emocional. Mas o que talvez passe despercebido é que Dickens criou, ali, um retrato psicológico preciso de alguém profundamente ferido — e mostrou como a mudança humana, mesmo quando difícil, é possível. Neste texto, vamos olhar para Scrooge pela lente da psicologia: o que o tornou quem ele era, o que abriu espaço para a mudança, e como essa transformação pode inspirar pessoas reais. Quem é Scrooge? Um homem endurecido por suas próprias defesas À primeira vista, Scrooge parece simplesmente mau: grosseiro, avarento, emocionalmente distante, incapaz de empatia. Mas, psicologicamente, ele é um exemplo claro de alguém que desenvolveu defesas rígidas para sobreviver a experiências dolorosas. Solidão na infância Dickens nos mostra um garoto deixado sozi...

O Coelho e a Tartaruga: uma leitura psicanalítica sobre tempo, desejo e o ritmo singular de cada sujeito

A fábula clássica O Coelho e a Tartaruga costuma ser lida como uma lição de moral simples: a pressa é inimiga da perfeição, a constância vence a impulsividade. Mas, quando olhamos pela lente psicanalítica, emergem camadas mais profundas — sobre desejo, narcisismo, modos de existir e a relação singular de cada sujeito com o tempo. O Coelho: velocidade como defesa O coelho corre porque pode — e talvez porque precisa. Sua velocidade, quando vista simbolicamente, pode ser compreendida como uma defesa: uma resposta ao desamparo, ao medo de não ser “bom o bastante”, à necessidade de provar constantemente seu valor. Na Psicanálise, observamos que certas hiperperformances surgem para tamponar angústias. O coelho não tolera o intervalo, o vazio, a pausa. A corrida o protege de encarar a própria fragilidade. É o sujeito acelerado, tomado pelo ideal de eu, capturado pela fantasia de potência. A Tartaruga: o tempo próprio como ato de resistência A tartaruga, por outro lado, caminha num ri...

Odete Roitman: por que essa vilã ainda nos hipnotiza? Uma análise psicológica

A icônica vilã da novela Vale Tudo continua sendo uma das personagens mais marcantes da teledramaturgia brasileira. Mas por que, afinal, Odete Roitman nos prende tanto — mesmo sendo cruel, manipuladora e completamente sem limites emocionais? A psicologia tem algumas pistas. Odete Roitman: a personificação da “sombra” Carl Jung chamava de Sombra o conjunto de aspectos nossos que evitamos enxergar: ambição desmedida, agressividade, vaidade, controle. Odete Roitman é justamente uma projeção viva disso. Ela: manipula sem culpa; exerce poder com elegância e frieza; diz verdades que muitas pessoas pensam, mas jamais diriam; ultrapassa limites: todos eles. No fundo, ela toca em partes humanas que tentamos esconder. Fazemos isso sem perceber: projetamos nela o que tememos reconhecer em nós, mas também aquilo que gostaríamos de ter em pequenas doses — como coragem ou assertividade. Por que nos apegamos a personagens fictícios? Parece paradoxal: sabemos que eles não existem, mas so...