Quando falamos em menopausa, a maioria das pessoas pensa imediatamente em hormônios, ondas de calor e mudanças no corpo. E de fato, tudo isso faz parte. Mas existe uma dimensão que muitas vezes fica em segundo plano e que é fundamental para entender esse momento da vida: a experiência psicológica.
Um artigo publicado na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia aborda o papel do exercício físico na menopausa com foco nos benefícios para a saúde, especialmente na prevenção de doenças cardiovasculares e no controle da pressão arterial. A proposta é clara e importante: o exercício como estratégia de cuidado.
Mas quando olhamos esse tema com um olhar psicológico, percebemos que ele é ainda mais profundo.
A menopausa não é apenas uma mudança biológica. Ela representa uma transição. Um período em que o corpo muda, os papéis muitas vezes se reorganizam e a forma como a mulher se percebe também pode se transformar.
É comum que, nessa fase, surjam questões relacionadas à identidade, à autoestima e ao sentido de vida. Algumas mulheres relatam um distanciamento do próprio corpo, como se ele deixasse de ser um lugar de familiaridade. Outras sentem uma queda na energia, no desejo ou até na motivação para cuidar de si.
O artigo aponta o sedentarismo como um fator de risco importante nesse período. E isso é verdade. Mas do ponto de vista psicológico, a pergunta que fica é outra: por que tantas mulheres se tornam sedentárias justamente nessa fase?
A resposta nem sempre está na falta de informação. Muitas vezes, está ligada a aspectos emocionais mais profundos.
Pode haver um desinvestimento no corpo, uma sensação de perda, um cansaço acumulado de anos de cuidado com os outros ou até um estado emocional mais rebaixado, que dificulta a iniciativa. O corpo passa a ser percebido mais como problema do que como fonte de prazer.
E é exatamente aqui que o exercício físico ganha um novo significado.
Mais do que prevenir doenças, ele pode funcionar como uma forma de reconexão. Um caminho de retorno ao próprio corpo. Um espaço em que a mulher volta a sentir movimento, vitalidade e presença.
Do ponto de vista psicológico, o exercício ajuda a regular emoções, reduzir a ansiedade e melhorar o humor. Mas também faz algo ainda mais importante. Ele devolve uma sensação de autonomia. Em um momento da vida em que muitas coisas parecem fora de controle, mover o corpo pode ser uma forma concreta de recuperar o senso de potência.
Isso não significa que seja simples. A adesão ao exercício não depende apenas de disciplina. Envolve motivação, relação com o próprio corpo e, muitas vezes, a forma como a pessoa lida com suas emoções.
Por isso, uma abordagem mais completa da menopausa precisa ir além das recomendações físicas. É preciso considerar o que essa fase representa para cada mulher. Quais são suas vivências, seus medos, suas perdas e também suas possibilidades de transformação.
O exercício físico, nesse contexto, deixa de ser apenas uma orientação médica e passa a ser um recurso terapêutico. Ele pode ajudar não só o corpo, mas a forma como a mulher se habita, se percebe e se cuida.
A menopausa não precisa ser vista como um fim. Ela pode ser um recomeço. Um momento de olhar para si com mais atenção, de reorganizar prioridades e de construir uma nova relação com o próprio corpo.
E talvez o movimento seja um dos caminhos mais potentes para essa travessia. Referência: ZANESCO, Angelina; ZAROS, Pedro R. Exercício físico e menopausa. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, Rio de Janeiro, v. 31, n. 5, p. 254-261, maio 2009. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0100-72032009000500009 . Acesso em: 12 abr. 2026.
Um artigo publicado na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia aborda o papel do exercício físico na menopausa com foco nos benefícios para a saúde, especialmente na prevenção de doenças cardiovasculares e no controle da pressão arterial. A proposta é clara e importante: o exercício como estratégia de cuidado.
Mas quando olhamos esse tema com um olhar psicológico, percebemos que ele é ainda mais profundo.
A menopausa não é apenas uma mudança biológica. Ela representa uma transição. Um período em que o corpo muda, os papéis muitas vezes se reorganizam e a forma como a mulher se percebe também pode se transformar.
É comum que, nessa fase, surjam questões relacionadas à identidade, à autoestima e ao sentido de vida. Algumas mulheres relatam um distanciamento do próprio corpo, como se ele deixasse de ser um lugar de familiaridade. Outras sentem uma queda na energia, no desejo ou até na motivação para cuidar de si.
O artigo aponta o sedentarismo como um fator de risco importante nesse período. E isso é verdade. Mas do ponto de vista psicológico, a pergunta que fica é outra: por que tantas mulheres se tornam sedentárias justamente nessa fase?
A resposta nem sempre está na falta de informação. Muitas vezes, está ligada a aspectos emocionais mais profundos.
Pode haver um desinvestimento no corpo, uma sensação de perda, um cansaço acumulado de anos de cuidado com os outros ou até um estado emocional mais rebaixado, que dificulta a iniciativa. O corpo passa a ser percebido mais como problema do que como fonte de prazer.
E é exatamente aqui que o exercício físico ganha um novo significado.
Mais do que prevenir doenças, ele pode funcionar como uma forma de reconexão. Um caminho de retorno ao próprio corpo. Um espaço em que a mulher volta a sentir movimento, vitalidade e presença.
Do ponto de vista psicológico, o exercício ajuda a regular emoções, reduzir a ansiedade e melhorar o humor. Mas também faz algo ainda mais importante. Ele devolve uma sensação de autonomia. Em um momento da vida em que muitas coisas parecem fora de controle, mover o corpo pode ser uma forma concreta de recuperar o senso de potência.
Isso não significa que seja simples. A adesão ao exercício não depende apenas de disciplina. Envolve motivação, relação com o próprio corpo e, muitas vezes, a forma como a pessoa lida com suas emoções.
Por isso, uma abordagem mais completa da menopausa precisa ir além das recomendações físicas. É preciso considerar o que essa fase representa para cada mulher. Quais são suas vivências, seus medos, suas perdas e também suas possibilidades de transformação.
O exercício físico, nesse contexto, deixa de ser apenas uma orientação médica e passa a ser um recurso terapêutico. Ele pode ajudar não só o corpo, mas a forma como a mulher se habita, se percebe e se cuida.
A menopausa não precisa ser vista como um fim. Ela pode ser um recomeço. Um momento de olhar para si com mais atenção, de reorganizar prioridades e de construir uma nova relação com o próprio corpo.
E talvez o movimento seja um dos caminhos mais potentes para essa travessia. Referência: ZANESCO, Angelina; ZAROS, Pedro R. Exercício físico e menopausa. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, Rio de Janeiro, v. 31, n. 5, p. 254-261, maio 2009. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0100-72032009000500009 . Acesso em: 12 abr. 2026.

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