Poucas histórias conseguiram transformar tão bem a solidão, o desejo e a necessidade de ser amado em uma narrativa como O Fantasma da Ópera, de Gaston Leroux. Publicado originalmente em 1910, o romance costuma ser lembrado principalmente pela figura misteriosa do Fantasma, pela bela Christine e pelo romance impossível com Raoul. Mas, olhando um pouco além da história de amor, encontramos uma obra profundamente psicológica, cheia de conflitos sobre identidade, rejeição, narcisismo, desejo e pertencimento. E talvez seja justamente por isso que o Fantasma continue nos incomodando tanto. Ele não é simplesmente um vilão. Também não é exatamente uma vítima. É uma personagem construída em uma zona muito mais desconfortável, onde sofrimento e violência convivem, e onde a necessidade desesperada de ser amado pode se transformar em desejo de controlar o outro. Por trás da máscara existe uma pergunta Erik, o Fantasma, vive literalmente escondido. Seu rosto deformado é apresentado como motiv...
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