A icônica vilã da novela Vale Tudo continua sendo uma das personagens mais marcantes da teledramaturgia brasileira. Mas por que, afinal, Odete Roitman nos prende tanto — mesmo sendo cruel, manipuladora e completamente sem limites emocionais?
A psicologia tem algumas pistas.
Odete Roitman: a personificação da “sombra”
Carl Jung chamava de Sombra o conjunto de aspectos nossos que evitamos enxergar: ambição desmedida, agressividade, vaidade, controle. Odete Roitman é justamente uma projeção viva disso. Ela: manipula sem culpa; exerce poder com elegância e frieza; diz verdades que muitas pessoas pensam, mas jamais diriam; ultrapassa limites: todos eles.
No fundo, ela toca em partes humanas que tentamos esconder. Fazemos isso sem perceber: projetamos nela o que tememos reconhecer em nós, mas também aquilo que gostaríamos de ter em pequenas doses — como coragem ou assertividade.
Por que nos apegamos a personagens fictícios?
Parece paradoxal: sabemos que eles não existem, mas sofremos, torcemos, amamos e odiamos como se fossem reais. Esse vínculo é estudado pela psicologia e pelas neurociências.
Relações parasociais
Criamos o que os pesquisadores chamam de relações parasociais — laços emocionais unilaterais com figuras da mídia. Não é “coisa da nossa cabeça”; nosso cérebro processa a presença dessas figuras como se fossem pessoas do nosso convívio.
Elas nos oferecem: previsibilidade emocional (diferente das pessoas reais); companhia simbólica; espaço seguro para explorar afetos; identificação com conflitos e fragilidades — ou com o oposto disso. No caso de uma vilã, o vínculo não é necessariamente de afeto, mas de fascínio.
A força da narrativa: espelhos da nossa própria vida
Personagens como Odete Roitman não funcionam só pela maldade. Elas representam conflitos humanos universais: poder; controle; fragilidade mascareda por arrogância; medo de vulnerabilidade; relações familiares disfuncionais.
Isso tudo nos atrai porque, de algum modo, toca nossas próprias histórias. A ficção funciona como laboratório psíquico: nela, podemos sentir sem risco, refletir sem exposição e revisitar emoções profundas sem mirar diretamente para nós mesmos.
O papel da vilã na nossa psique
A vilã cumpre uma função psicológica importante: ela dá forma externa aos conflitos que carregamos internamente. Odete Roitman faz o serviço “sujo” que a consciência evita. Ela vive a potência bruta do ego — sem ética, mas com clareza e direção. Assistir a isso alivia, provoca e, em certo sentido, organiza. Ela é o que não podemos ser. E, exatamente por isso, é impossível ignorá-la.
No fim das contas… Amamos (ou odiamos) Odete Roitman porque ela é humana demais — só que sem o filtro social que nos limita. Sua presença nos faz pensar:
Quem somos no nosso íntimo? O que escondemos de nós mesmos? Como lidamos com poder, frustração e afeto? A ficção não é fuga: é revelação.
Referências rápidas para aprofundar (Informais, mas úteis para leitores curiosos) Jung, C. G. – A Natureza da Psique
Horton, D. & Wohl, R. (1956). Mass Communication and Para-Social Interaction
Giles, D. (2023). Psychology of Parasocial Relationships
Green, M. C. (2021). Pesquisas sobre transporte narrativo e engajamento emocional
A psicologia tem algumas pistas.
Odete Roitman: a personificação da “sombra”
Carl Jung chamava de Sombra o conjunto de aspectos nossos que evitamos enxergar: ambição desmedida, agressividade, vaidade, controle. Odete Roitman é justamente uma projeção viva disso. Ela: manipula sem culpa; exerce poder com elegância e frieza; diz verdades que muitas pessoas pensam, mas jamais diriam; ultrapassa limites: todos eles.
No fundo, ela toca em partes humanas que tentamos esconder. Fazemos isso sem perceber: projetamos nela o que tememos reconhecer em nós, mas também aquilo que gostaríamos de ter em pequenas doses — como coragem ou assertividade.
Por que nos apegamos a personagens fictícios?
Parece paradoxal: sabemos que eles não existem, mas sofremos, torcemos, amamos e odiamos como se fossem reais. Esse vínculo é estudado pela psicologia e pelas neurociências.
Relações parasociais
Criamos o que os pesquisadores chamam de relações parasociais — laços emocionais unilaterais com figuras da mídia. Não é “coisa da nossa cabeça”; nosso cérebro processa a presença dessas figuras como se fossem pessoas do nosso convívio.
Elas nos oferecem: previsibilidade emocional (diferente das pessoas reais); companhia simbólica; espaço seguro para explorar afetos; identificação com conflitos e fragilidades — ou com o oposto disso. No caso de uma vilã, o vínculo não é necessariamente de afeto, mas de fascínio.
A força da narrativa: espelhos da nossa própria vida
Personagens como Odete Roitman não funcionam só pela maldade. Elas representam conflitos humanos universais: poder; controle; fragilidade mascareda por arrogância; medo de vulnerabilidade; relações familiares disfuncionais.
Isso tudo nos atrai porque, de algum modo, toca nossas próprias histórias. A ficção funciona como laboratório psíquico: nela, podemos sentir sem risco, refletir sem exposição e revisitar emoções profundas sem mirar diretamente para nós mesmos.
O papel da vilã na nossa psique
A vilã cumpre uma função psicológica importante: ela dá forma externa aos conflitos que carregamos internamente. Odete Roitman faz o serviço “sujo” que a consciência evita. Ela vive a potência bruta do ego — sem ética, mas com clareza e direção. Assistir a isso alivia, provoca e, em certo sentido, organiza. Ela é o que não podemos ser. E, exatamente por isso, é impossível ignorá-la.
No fim das contas… Amamos (ou odiamos) Odete Roitman porque ela é humana demais — só que sem o filtro social que nos limita. Sua presença nos faz pensar:
Quem somos no nosso íntimo? O que escondemos de nós mesmos? Como lidamos com poder, frustração e afeto? A ficção não é fuga: é revelação.
Referências rápidas para aprofundar (Informais, mas úteis para leitores curiosos) Jung, C. G. – A Natureza da Psique
Horton, D. & Wohl, R. (1956). Mass Communication and Para-Social Interaction
Giles, D. (2023). Psychology of Parasocial Relationships
Green, M. C. (2021). Pesquisas sobre transporte narrativo e engajamento emocional

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