Pular para o conteúdo principal

Explicando a psicologia transpessoal

A psicologia transpessoal é um ramo da psicologia que entende o ser humano de uma perspectiva holística, tratando-o como um todo composto por várias partes ou planos (os planos material, energético, emocional, mental e espiritual) que estão intimamente relacionados.

A psicologia transpessoal responde a uma preocupação que surge na pessoa em um determinado momento de sua existência e que a leva a considerar certas questões que até agora passaram despercebidas. Estes momentos de reflexão profunda, em que se questiona tudo o que considerávamos válido até então, podem coincidir com a passagem por uma ou várias crises vitais (embora não deva necessariamente ser assim) como a morte de um ente querido, mudanças profissionais, afetivas ou de residência , sofrer uma doença grave ou ver o fim dos nossos dias próximo.

Perguntas do tipo: Quem sou eu? Qual é o propósito da minha existência? ou Qual é a minha missão nesta vida? podem por vezes nos abalar e sentimos a necessidade urgente de respostas. Ao fazer uma conexão com a pirâmide de necessidades de Maslow, temos no topo o alcançar da autorrealização e transcendência e cuja satisfação passa inevitavelmente por um trabalho de autoconhecimento e introspecção que nos leva a olhar para dentro de nós. Uma vez que o façamos, nosso senso de identidade se expande "além" do plano físico e do ego individual.

O verdadeiro autoconhecimento envolve dar atenção a essa identidade mais profunda, ao que somos em essência para viver de forma mais consciente e plena. Este caminho de transformação interior nos leva a alcançar a tão desejada harmonia, equilíbrio e paz interior.

Na terapia transpessoal, enfrentamos nossa sombra. O terapeuta nos acompanha, nos orienta, com sua ajuda descobrimos como é o nosso ego, aquele personagem que criamos e com quem nos sentimos tão identificados. Nós o observamos, o compreendemos, o abraçamos com carinho, aceitando-o como é, amando-o, curando suas feridas, integrando-o conscientemente ao nosso ser. Tornando-se consciente de nossos padrões mentais e emocionais, de nossas crenças subjacentes, de nossas necessidades e carências, e gerando novos padrões de pensamento e sentimento mais consistentes com nossa essência.

Como o real só pode ser conhecido por meio do falso, do ilusório, o ego cumpre uma função importante pela qual devemos ser gratos. Somente passando por ele e transcendendo-o podemos ter um vislumbre do que realmente somos.

Dicas de leitura:

  • Psicologia Transpessoal. Abordagem Integrativa. Um Conhecimento Emergente em Psicologia da Consciência - Vera Saldanha - Editora Unijuí 
  • Abordagem Integrativa Transpessoal. Psicologia e Transdisciplinaridade - Vera Saldanha e Arlete Acciari - Editora Inserir
  • A Psicologia Transpessoal da vida cotidiana: Nas entrelinhas da "normalidade" - Adriana Nogueira - Editora Amazon

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Carnaval e a Psicologia: Reflexões sobre a Identidade, Liberação e Expressão Emocional

O Carnaval é uma das festas mais emblemáticas e celebradas no Brasil, reconhecido mundialmente por suas cores vibrantes, danças animadas e um ambiente de descontração e alegria. Porém, além de ser um evento cultural e social, o Carnaval também apresenta aspectos profundamente ligados à psicologia humana. Durante essa festividade, as pessoas se entregam a uma experiência coletiva de liberdade, descontração e, muitas vezes, até de transformação pessoal. Neste artigo, exploraremos como o Carnaval pode ser compreendido sob a ótica psicológica, destacando seus impactos nas emoções, na identidade e no comportamento coletivo. A Libertação das Normas Sociais No contexto do Carnaval, há uma suspensão temporária das regras sociais que normalmente regulam os comportamentos. A psicologia social já abordou como as normas sociais influenciam nossas atitudes, comportamentos e interações. Durante o Carnaval, muitas dessas normas são suavizadas, o que cria um ambiente mais permissivo. A fantasia,...

Mecanismo de Defesa: Introjeção

A introjeção é um mecanismo de defesa psíquica descrito pela psicanálise, que envolve a internalização de valores, crenças, normas ou sentimentos de outras pessoas, geralmente figuras significativas como pais, professores ou outras autoridades, de forma inconsciente. Essa internalização pode acontecer em resposta a experiências emocionais, influências externas ou contextos que ameaçam a identidade do indivíduo. O Conceito de Introjeção Na psicanálise, a introjeção é entendida como uma forma de defesa do ego diante de um conflito ou ansiedade interna. O conceito foi originalmente formulado por Melanie Klein, psicanalista que teorizou os mecanismos de defesa como formas de lidar com tensões emocionais. Para Klein, a introjeção é o processo em que a pessoa assimila aspectos do mundo externo, como os sentimentos e pensamentos de figuras importantes, e os incorpora como se fossem suas próprias ideias e sentimentos. Essa incorporação pode ser saudável em alguns casos, como quando o indi...

A Literatura Psicológica de Machado de Assis: Análise das Complexidades Humanas

Machado de Assis é amplamente reconhecido como um dos maiores escritores da literatura brasileira e, especialmente, por sua habilidade única em explorar a psique humana. Sua obra é marcada por uma profunda compreensão da psicologia dos personagens, refletindo questões existenciais, morais e sociais de seu tempo. A literatura psicológica em Machado de Assis não é apenas uma característica do autor, mas também uma marca registrada de sua escrita, que vai além das convenções de sua época e antecipa temas e abordagens que mais tarde seriam desenvolvidos pelos psicólogos e filósofos modernos. A Formação Psicológica dos Personagens Os personagens machadianos são frequentemente apresentados de forma ambígua e contraditória, refletindo a complexidade da natureza humana. Em obras como Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas e Quincas Borba, o autor constrói seus protagonistas com uma sensibilidade ímpar, explorando suas motivações internas, seus conflitos e dilemas existenciais. Em ...